Autor: Analuz Maia I Data: 29 de Junho de 2010
Esta história fala de uma jovem que é exemplo para muitos.
Marli estava empolgada com a primeira semana de aula na faculdade. Conhecera pessoas novas e entusiasmara-se com as disciplinas do seu curso: Direito. Nem podia acreditar que conseguira entrar para a universidade. Estudara com afinco durante o período do cursinho, mas como sentia muitas dificuldades em matemática e física, teve dúvidas se iria conseguir passar. Agora estava ali, realizando o seu sonho. Um dia sairia daquele campus como uma advogada formada; e uma nova batalha a esperava: conseguir emprego na área que tinha escolhido.
Marli não se preocupava com isso no momento. Havia aprendido a confiar os seus caminhos a Deus. A descansar e a deixar que Ele conduzisse sua vida. Afinal, não estava ali? Não havia vencido, apesar de todas as dificuldades? E que dificuldades...
Marli morava na periferia de uma grande cidade. Trabalhava de dia, como atendente em uma clinica médica e a noite fazia cursinho. Tinha vinte anos e morava com os pais e um irmão mais novo. Saía de casa bem cedo, antes das seis horas e só voltava perto da meia noite. Chegava tão cansada que às vezes não tinha ânimo nem para fazer um lanche. Caía na cama e dormia profundamente até as cinco horas da manhã.
Marli conhecera o evangelho há quatro anos e desde então sua maneira de encarar a vida mudara radicalmente: Não perdia mais tempo lamentando-se por suas dificuldades. Agia em prol de superá-las. Sentia-se amada e aceita por Jesus, sentimentos que a encorajavam a desenvolver-se em todos os aspectos da sua vida.
Na igreja, Marli possuía muitos amigos. Principalmente no grupo de jovens, do qual fazia parte. As programações que mais gostava eram os louvores. Naqueles momentos sentia-se especialmente feliz. As letras das músicas evocavam em Marli, reflexões sobre a sua vida. E era grata a Deus por oportunidades como aquelas.
Após um mês de aulas, a turma da faculdade resolveu organizar um churrasco no fim de semana. Marli achou que poderia ser uma boa oportunidade para que pudessem se entrosar mais. Combinou com Valéria, uma aluna com quem tinha conversado durante a semana, de irem juntas.
A casa onde se realizaria o churrasco era grande, bonita e com uma espaçosa área verde. Paulo, um dos estudantes, morava ali, com seus pais. Quando Marli e Valéria chegaram já havia algumas pessoas conversando animadamente.
Com o passar do tempo um grande número de jovens foi chegando. Pessoas que Marli nem tinha visto no curso. O som foi ligado e uma música agitada começou a tocar alto. As duas amigas não conseguiam mais se ouvir. As bebidas começaram a ser servidas: cerveja, caipirinha e refrigerantes. Marli observava que todos os que ali se encontravam eram jovens como ela, mas bebiam como se já estivessem acostumados há bastante tempo. Muitos fumavam também.
Marli começou a se sentir incomodada. Era uma pessoa naturalmente tímida, mas o seu desconforto não se devia a isso. Sabia que não estava num ambiente saudável. Achava legal que os jovens se encontrassem para bater papo, mas aquela música, as bebidas e o cigarro, não pareciam corretos para Marli. Estar ali significava compartilhar daquela experiência.
Após meia hora, Marli decidiu ir embora. Desculpou-se com os colegas e saiu.
Na segunda feira, na hora do intervalo, alguns colegas questionaram sua saída.
- Puxa Marli, você nem aproveitou a festa!
- A Marli é crente. O pessoal evangélico não pode ir a festas, explicou Valéria.
- Deve ser difícil viver presa sem poder se divertir - Comentou Ricardo - Você não sente falta?
- Não se trata disso. Eu, como qualquer jovem gosto de me divertir. Mas não acho que aquele tipo de diversão esteja correto.
Um silêncio instalou-se no grupo. Marli sabia que poderia ser interpretada como uma pessoa intolerante, mas não podia deixar de dizer como se sentia.
- Olha, Marli, eu respeito a sua opção religiosa, mas você não pode dizer que o que nós fazemos é errado, trata-se de uma opção de vida. Se você não gosta, não participe e acabou.
- Eu não quero parecer antiquada gente. Acho até que seria mais fácil para mim, concordar com vocês e parecer ser uma pessoa aberta, moderna, etc. Mas a verdade é que eu não consigo ficar em um ambiente onde a música que se ouve faz propaganda de sexo a toda hora. Também acho errado beber e fumar, pois fazem mal à saúde. Eu não quero isso para a minha vida e também não quero isso para a vida de ninguém. Seria contraditório da minha parte dizer que se trata de simples opção de vida. Para mim é uma opção errada de vida.
Novo silêncio.
- Desculpem, não quero parecer chata, mas acho que preciso dizer como eu me sinto.
- Tudo bem Marli, o importante é a gente se comunicar. Agora vamos para a sala que a aula já começou.
Durante os anos em que passou na universidade, surgiram outras situações como aquela. Em alguns momentos Marli decidiu calar, por achar que não era o momento adequado para dizer o que pensava. Em outros, achou necessário falar. Nem sempre foi compreendida e às vezes teve medo de ser vista pelo grupo como uma pessoa intransigente.
Com o passar do tempo, o que aconteceu, foi que ao observarem a conduta e a sinceridade de Marli, as pessoas passaram a admirá-la e a levarem em consideração as coisas que dizia. Marli era uma jovem coerente em sua escolha por Jesus Cristo e sincera na sua preocupação para com o próximo. Também procurava agir com humildade, pois sabia que tanto quanto seus amigos, ainda tinha muito que aprender sobre a vida.
Em suas orações, a jovem pedia a Jesus que lhe desce sabedoria, para lidar com as situações difíceis.
Como vemos, Ele atendeu ao seu pedido.